4- Renovação Carismática Católica

 Graça e paz.

Renovação Carismática Católica


Muitas vezes, quando estou em um grupo de oração ou quando alguém me pergunta, com o olhar curioso e o coração aberto: "Ronaldo, o que é, afinal, a Renovação Carismática Católica?". A pergunta é simples, mas a resposta é tão vasta quanto o céu e tão íntima quanto um sopro.


Para mim, a Renovação não é primeiramente um movimento, uma organização ou um conjunto de práticas. Antes de tudo, é um despertar. É a experiência viva e pulsante de um Pentecostes pessoal, um convite para que cada batizado redescubra a força do Espírito Santo que já habita em nós, mas que tantas vezes permanece como uma chama tímida, quase esquecida no sacrário da alma.


Eu a vejo como uma corrente de graça, um rio de água viva que brotou no coração da Igreja para irrigar terras que talvez estivessem se tornando áridas pela rotina ou pelo intelectualismo. Não é algo novo, mas o desvelar de algo perene: a dimensão carismática que pertence à própria natureza da Igreja desde seus primeiros dias, quando os apóstolos, trancados e com medo, foram transformados em testemunhas audazes pelo fogo do Paráclito.


Minha própria caminhada de fé foi profundamente moldada por esta corrente. Foi na Renovação, nesta minha casa e escola de santidade, que aprendi a amar a Palavra de Deus não como um livro de histórias antigas, mas como uma carta de amor escrita para mim, hoje. Foi ali que a oração deixou de ser uma repetição de fórmulas para se tornar um diálogo de coração a coração com um Deus que é Pai, Amigo e Consolador. Foi ali que o louvor brotou como uma necessidade da alma que transborda de gratidão.


E essa experiência não ficou restrita aos muros da igreja ou aos encontros de oração. Como técnico de enfermagem, há 26 anos, eu aprendi que o Espírito Santo não tem medo de uniformes brancos, cheiro de éter ou do som dos monitores cardíacos. A chama acesa no altar do coração não se apaga quando entro no hospital; pelo contrário, é ali que ela se torna mais necessária.


O mesmo Espírito que me inspira um cântico em línguas durante o louvor é o que me concede a paciência e a palavra certa diante de um paciente em agonia. O mesmo ardor que sinto ao adorar Jesus no Santíssimo Sacramento é o que me impulsiona a ver o rosto do próprio Cristo no idoso esquecido, no jovem acidentado, na mãe que chora a perda de um filho. A Renovação Carismática me ensinou que a fé não é um escape da realidade, mas a força que nos permite mergulhar nela, com amor e por amor, para ser sinal de esperança.


E como poderia eu, um servo consagrado à Virgem Maria, não ver Nela a primeira e mais perfeita carismática? Ela, a Cheia de Graça, que acolheu o Espírito Santo e permitiu que o Verbo se fizesse carne em seu ventre. Maria é o modelo da alma que se abre docilmente à ação de Deus. A Renovação, em sua essência mais pura, nos convida a imitar o seu "sim", a deixar que o Espírito também gere Cristo em nós e através de nós, para o mundo.


Portanto, a Renovação Carismática Católica não é um fim em si mesma. É um caminho. É o sopro suave que nos empurra para uma vida mais profunda nos sacramentos, para um amor mais ardente pela Eucaristia, para uma obediência filial à Santa Igreja e para um serviço generoso aos irmãos, especialmente os que mais sofrem.


É um convite a abrir as janelas da alma e deixar que o vento de Deus desarrume nossas certezas, cure nossas feridas e nos impulsione para águas mais profundas. Um convite para ser, no meio do mundo, um reflexo daquela Luz que cura o corpo e, sobretudo, a alma.


Em Cristo e Maria,

Ronaldo Chiarato

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