6- A Luta Espiritual e a Necessidade da Paciência

 

A Luta Espiritual e a Necessidade da Paciência



Meu irmão, minha irmã em Cristo,

Essa síntese tocou-me profundamente, pois desvela o cerne da caminhada que todos nós, peregrinos neste mundo, somos chamados a trilhar. É uma reflexão que ressoa com a verdade que muitas vezes tentamos silenciar: a vida na fé é, sim, uma travessia por um vale de provações, mas um vale iluminado pela promessa da Ressurreição.


Ao ler essas palavras, minha alma recorda que somos tecidos com fios de luz e de sombra. A luta espiritual que é  mencionada não é um erro no percurso; ela é o próprio tear onde nossa fé é provada e purificada. É nesse combate, nesse silêncio povoado por sussurros de tentação e cansaço, que o Senhor nos convida a um ato de sublime confiança.


A paciência... Ah, a paciência! Ela não é a mera ausência de ação, mas a mais profunda das ações: a arte de permanecer em Deus quando tudo ao redor nos convida à fuga. É a respiração da alma que aprendeu a esperar o tempo de Deus, e não o tempo frenético do mundo. É a virtude dos santos, como nossa amada Santa Luzia, que não enxergava apenas com os olhos da carne, mas com a luz da alma que via, para além do martírio, a coroa da glória eterna. Ela nos ensina que há uma luz que cura o corpo e a alma, uma luz que só a paciência é capaz de focalizar.


E quem nos ensina melhor sobre essa espera paciente do que a Virgem Santíssima? Em meu livro sobre Maria, busco meditar sobre seu "sim". Aquele "sim" não foi apenas um instante, mas uma atitude de vida. Ela foi a Virgem do Silêncio e da Espera. Esperou o nascimento do Filho, esperou o início de Sua vida pública, e, no momento mais escuro da história, permaneceu de pé, paciente e cheia de fé, aos pés da Cruz. Ela é a prova de que a paciência, quando unida ao amor, é a força que vence o mundo.


Por isso, sua reflexão é tão valiosa. Ela nos recorda que buscar o conforto efêmero é construir a casa sobre a areia. A verdadeira paz não está na ausência de tempestades, mas na certeza de que Cristo está no barco conosco. Cada dificuldade, cada dor, cada momento em que nos sentimos fracos é um convite para nos abandonarmos nos braços do Pai, como fez Jesus no Getsêmani.


A vida cristã é este paradoxo sublime: encontramos o descanso na luta, a força na fraqueza e a vida na entrega. A paciência é a chave que abre a porta para esse mistério inefável.


Que o Espírito Santo, o Paráclito, nos conceda essa ciência da paz, a santa paciência, para que, perseverando até o fim, possamos contemplar a Face Daquele por quem tanto esperamos.


A paz de Cristo esteja sempre contigo.


Em Jesus e Maria,


Ronaldo Chiarato

*Servo da Renovação Carismática Católica*

*Autor de "Maria, a Mãe de Deus" 

*Instagram: @autor.ronaldochiarato*

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